Artigos

A Norma ABNT NBR ISO 28000:2009 como complemento ao Programa Brasileiro de Operador Econômico Autorizado (OEA)

Sem dúvida, os atos terroristas de 11 de Setembro dividiram a história do comércio mundial em duas partes, antes e depois desta trágica data. E com a estratégia para proteção da cadeia logística, os Estados Unidos desenvolveram seu programa C-TPAT, o qual é um acordo voluntário entre a Aduana deste país com as empresas para implementar medidas de segurança que visam proteger a cadeia logística em todas suas etapas e não permita que esta seja utilizada por terroristas para a execução ou materialização de delitos. Paralelamente, a Organização Mundial das Aduanas (WCO – World Customs Organization), utilizando-se do C-TPAT, cria a Estrutura Normativa para a Segurança e a Facilitação do Comércio Internacional (Safe Framework of Standards to secure and facilitate global trade) e em sua Assembleia Geral do ano de 2005 promulga esta iniciativa. De forma semelhante, o Parlamento Europeu neste mesmo ano, introduz uma ementa em sua legislação Aduaneira Comunitária, permitindo que as Aduanas da Comunidade Europeia passassem a gerar benefícios para aqueles agentes do comércio exterior, ou seja, aqueles que possuíssem condições de cumprir com tais requisitos para qualificar-se como OEA. Desta forma, por não existir naquele momento um elemento que unificasse os programas de Supply Chain Security dos Estados Unidos e o programa OEA na Europa, a ISO (International Organization for Standardization), elabora e publica a Norma ISOPAS 28000:2005 em resposta às necessidades da indústria, publicando posteriormente no ano de 2007 a versão tecnicamente revisada, versão essa que hoje se aplica em todo mundo. E foi neste cenário que um importante grupo de empresas decidiram implementar e certificar-se sob a Norma ABNT NBR ISO 28000:2009 com o objetivo de assegurar proteção e resiliência a suas cadeias logísticas, não mais respondendo aos incidentes que cada mercado encontra com relação a segurança de seus processos. Especificamente, no que tange ao tráfico de drogas e armas, de dinheiro, ao roubo de mercadorias, a possibilidade de infiltração de elementos explosivos, produtos contrabandeados, ou ainda um novo elemento que requer especial relevância no atual cenário econômico mundial. Por esse fenômeno, entende-se a continuidade dos negócios e, desta maneira, tal norma internacional sem dúvida passa a ter, um dinamismo mais significativo, motivando as empresas na implementação deste sistema de gestão o qual retira possíveis brechas existentes entre os programas de OEA, ou mais, facilitam em algumas regiões o reconhecimento mútuo entre os programas. Na Europa e nos Estados Unidos o avanço dos programas OEA e C-TPAT, respectivamente, motivou a indústria e os demais agentes da cadeia logística a implementarem os requisitos de segurança que estas normas respectivamente dispõe, porém, o grande desafio destas empresas é o de manter o cumprimento destes requisitos em condições de recessão, ou em condições de queda de demanda e ainda em panoramas econômicos adverso. Assim, é neste momento, onde mais se requer a segurança, que as vulnerabilidades se afloram, especialmente naqueles controles que dependem da natureza humana. Entre eles estão o aumento do desemprego, a redução dos controles governamentais e todo este cenário que, imaginam os autores, torna o ambiente totalmente conveniente para o crime internacional. Em consequência, os programas OEA sem dúvida passam a requerer uma plataforma integradora que permita seu desenvolvimento, manutenção e, por consequência, a determinação de um elemento de melhoria contínua. Com esse cenário, o aporte destes sistemas de gestão e em particular o aplicável pela Norma ABNT NBR ISO 28000:2009, pode vir a se materializar, garantindo para o processo uma administração oportuna e adequada. Neste ínterim, a gestão de segurança sob a visão da Norma ABNT NBR ISO 28000:2009 permite o desenvolvimento uma resiliência efetiva contra as ações internacionais, que tem como objetivo causar danos ou prejuízos na cadeia logística, e os padrões OEA e C-TPAT passam a se conformar mediante metas definidas que permitem alcançar os objetivos de segurança, pois os mesmos são orientados conforme a política de segurança de cada agente da cadeia logística. Cabe salientar, entretanto, que a Norma ABNT NBR ISO 28000:2009 foi desenvolvida com a mesma estrutura da já conhecida Norma ABNT NBR ISO 14000 (Gestão Ambiental), com um enfoque baseado totalmente na gestão de riscos dos processos, conforme apresentado pela Norma ABNT NBR ISO 31000:2009 – Gestão de Riscos – Princípios e Diretrizes. Assim, uma adequada identificação dos riscos, que logo quando valorados indiquem sua probabilidade de ocorrência e impacto na cadeia logística, permitirá determinar de maneira assertiva as ações de mitigação que se mostrem passivas de serem implementadas.   Avaliando os fatores de risco da Cadeia Logística O primeiro elemento da Norma ABNT NBR ISO 28000:2009 consiste em desenvolver, manter, documentar e melhorar continuamente um Sistema de Gestão de Segurança que seja capaz de identificar as ameaças, avaliar os riscos e com base nestas informações tomar ações necessárias que permitam antecipar os incidentes e mitigar os respectivos impactos. O segundo elemento é a determinação de uma Política de Segurança. Esta política permitirá orientar o estabelecimento dos objetivos, suas metas e os programas específicos que permitam administrar os riscos e assegurar a proteção para a cadeia logística. O terceiro elemento é a avaliação do risco e o planejamento do Sistema de Gestão. Nesta etapa deverá ser identificado de maneira efetiva o risco, planejar ações a serem seguidas, estabelecer objetivos de segurança que se pretende alcançar e fixar metas com base em uma análise do contexto da empresa. Seguindo o ciclo do processo PDCA (do inglês: PLAN – DO – CHECK – ACT), o planejamento do sistema levará a implementação dos programas definidos, estabelecendo uma comunicação efetiva, uma estrutura documental que suporte ao sistema e a garantia da rastreabilidade dos processos, definindo como responder diante de uma eventual emergência, e considerando também como se recuperar destes possíveis incidentes. O quinto elemento da Norma é a etapa de verificação, com ela a empresa determinará como funcionará seu sistema. Registra-se que é de extrema importância a utilização de um sistema de medição através de Indicadores Chaves de Desempenho (KPI – Key Performance Indicator) que permitirá objetivamente a revisão do desempenho deste programa. A avaliação do sistema, o controle dos registros e os processos de auditoria

A Norma ABNT NBR ISO 28000:2009 como complemento ao Programa Brasileiro de Operador Econômico Autorizado (OEA) Read More »

Sistemas de Gestão para Segurança na Cadeia Logística: Um investimento oportuno

  A implementação de um Sistema de Gestão para Segurança da Cadeia Logística tem como objetivo garantir que as empresas mantenham seus processos de acordo com padrões internacionais, com foco na qualidade e segurança. Tais sistemas de gerenciamento da cadeia logística geralmente cobrem aspectos comuns com outros sistemas, tais como o compromisso de gestão, políticas e metas; a nomeação de um líder ou representante, o estabelecimento dos papéis e responsabilidades de cada área, bem como os mecanismos de monitoramento e controle, incluindo comunicação, treinamento, acompanhamento, auditoria e revisão pela empresa. Uma contribuição importante destes sistemas é que os mesmos buscam cobrir também itens específicos e que contemplam a revisão dos parceiros de comerciais (clientes e fornecedores), as seguranças da mercadoria, pessoal (ter pessoal de confiança), física das instalações e dos equipamentos, além do controle de acesso e da segurança da informação, de processo e a antecipada identificação e comunicação de incidentes, que podem afetar a imagem e os interesses da empresa. Sendo assim, a adoção de um sistema deste tipo pode ajudar à empresa na redução de perdas, na continuidade do negócio, na otimização das operações (ajuste de tempos) e na redução do perfil de risco. Assim, fortalece suas políticas internas e parceiros comerciais confiáveis e competentes, além de agregar à melhoria contínua dos processos, identificando e controlando as não conformidades encontradas nos parceiros comerciais, sempre com a meta de mitigá-las. É possível, ainda, identificar competências e capacidades que as empresas estão utilizando para aumentar a segurança da cadeia logística. Também importante registrar que este sistema poderá cooperar e fortalecer os controles preventivos para as regras de Lei Anticorrupção que está em vigor no país desde 1º de agosto de 2013 (nº 12.846), que dispõe sobre a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira, além de dar outras providências. Esta Lei, inclusive, transfere o ônus de vigilância da integridade nas operações aduaneiras para o setor privado. O retorno do investimento em Sistemas de Gestão de Segurança para a Cadeia Logística Ao iniciar os estudos no tema de segurança da cadeia logística em 2007, era comum encontrar na maioria das áreas de uma empresa alguma resistência à adoção destas normas ou ainda um sentimento que não era fácil de ser feito, com dificuldades em entender seu benefício. O mercado vem mudando, porém ainda hoje podemos encontrar esta mesma percepção por alguns executivos. Então, imagine o seu nome ou logomarca ligada a um evento criminoso ou a um ato ilícito publicado em todos os meios de comunicação, sem possuir mecanismos adequados para demonstrar que era fortuito e que a sua empresa cumpre com a legislação e tem salvaguardas para estas e futuras ocorrências. Custos implícitos poderão superar o investimento inicial necessário para a implementação de um sistema de segurança na cadeia logística. Um ponto bastante acompanhado são as medidas salvaguardas apresentadas pelas empresas. Em muitos casos estas são inseridas sem prévia análise de risco, o que realmente determina a probabilidade de ocorrência de um evento e, às vezes, as medidas de segurança são baseadas em simplesmente colocar muitos dispositivos, independentemente da vulnerabilidade das mesmas. Nenhuma surpresa de encontrar uma câmera muito avançada que pode ser cancelada completamente ao cortar a eletricidade ou, pior, que não está funcionando corretamente pela falta de manutenção ou apontadas para locais sem movimentação operacional. E por que isto acontece? Porque uma análise preliminar dos riscos não é realizada e, por esta razão, há empresas que não conseguem proteger suas áreas mais vulneráveis. Para proteger a empresa de forma eficiente o primeiro passo é a realização de uma análise de risco das operações. Às vezes, os incidentes acontecem pela fraca ou falta de formação administrativa que a leva a assumir riscos que podem prejudicá-la posteriormente. Dicas úteis: Os sistemas segurança da cadeia logística orientam também a se formar indicadores de gestão, nos quais se registram os incidentes para poder demonstrar a queda dos riscos operacionais. Desta maneira, é fundamental adotar uma estratégia focada na prevenção, em que a empresa se torne capaz de identificar os potenciais riscos que ameaçam a sua operação e estabelecer critérios de proteção que contribuem para a segurança de seus processos e da cadeia logística como um todo. Para tanto, é preciso investir em tempo e reduzir as ocorrências resultantes de custos mais elevados, para permitir a continuidade das operações e dos negócios. Artigo escrito por: Daniel Gobbi Costa (dgobbi@allcompliance.com.br) Graduado em Administração de Empresas e habilitação em Comércio Exterior, com especialização nas áreas de Logística, Qualidade e Gerenciamento de Projetos. Atua desde 2007 em atividades de Auditoria/Consultoria nas áreas Logística e de Comércio Exterior participando de projetos de implementação e manutenção de controles internos, agora como Sócio/Responsável nas empresas Alliance Consultoria e Treinamento Empresarial (www.allcompliance.com.br) e Innova Consultoria Empresarial e Qualificação Executiva (www.innova-bpc.com.br). Professor da Devry do Brasil, unidade Metrocamp de Campinas (http://www.devrybrasil.edu.br/metrocamp).

Sistemas de Gestão para Segurança na Cadeia Logística: Um investimento oportuno Read More »

Rolar para cima